Influências históricas sobre o português brasileiro
Formação Histórica do português brasileiro
A língua portuguesa foi transplantada pelos portugueses para as terras americanas, durante o início do século XVI, período em que a colonização do Brasil se efetiva com a criação das capitanias hereditárias, sendo fixada como língua comum e enriquecida na convivência das línguas indígenas e africanas, visto que com a fundação das capitanias, passou-se a desenvolver as lavouras de cana-de-açúcar e como os indígenas não estavam acostumados a esse ofício, os negros escravizados, oriundos do Continente Africano, são trazidos à força para o Brasil. Assim, a contribuição africana, quanto ao léxico, está mais ligada à vida cotidiana do brasileiro (Culinária: acarajé, angu, bobó, quindim; Religião: candomblé, orixá, iemanjá; Instrumentos musicais: berimbau; Vegetais: chuchu, jiló, quiabo e Verbos: cochilar, xingar, engambelar), enquanto o tupi está mais ligado ao mundo natural (Babaçu, Araucária, Baiacu, Butantã, Capivara, Jacaré, Mutum, etc).
Durante o século XVII, os padres jesuítas eram responsáveis pela alfabetização e os ensinamentos, predominando o uso da língua geral, ou seja, são associados elementos do português europeu ao tupi falado pelos indígenas, facilitando a catequização. Porém, com a chegada de um grande número de imigrantes portugueses ao Brasil, a língua geral entra em decadência devido à maior difusão da língua portuguesa (os próprios índios, pela mestiçagem, vieram a adotar a língua portuguesa, assim como os negros escravizados também tinham mais facilidade para absorver).
O século XVIII, marca o fim do período colonial, o surgimento do ciclo do ouro e a expansão territorial (interiorização decorrente da busca pelo ouro e a busca de indígenas para que fossem escravizados). Devido os jesuítas se posicionarem contra a escravização dos indígenas, estes foram expulsos do Brasil, ocasionando uma reviravolta no enfoque dos estudos linguísticos e nos métodos de ensino, como a preocupação de apresentar aos estudantes uma Gramática de sua língua e a proibição do uso da língua geral pelos estudantes, ficando restrita aos povos indígenas.
No início do século XIX, ocorre a Independência em 1822 e
surge na literatura brasileira o Romantismo, movimento literário que prega o
nacionalismo exacerbado, incentivando os autores a mostrarem as riquezas do
Brasil, como as riquezas naturais e vocabulares, sendo consolidada a
consciência cultural dos brasileiros, que passam a se preocupar com a produção
de materiais capazes de explicarem a evolução fonética da língua.
Referência Bibliográficas: Fundamentos histórico-linguísticos do português do Brasil. Rio de Janeiro. Lucerna, 2003, obra de Silvio Elia e a História da Língua Portuguesa (Trad. Celso Cunha). São Paulo: Martins Fontes, 2007, obra de Paul Tessyer.



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