Mudanças na língua portuguesa do Brasil
Mudanças que ocorreram na composição da língua portuguesa
A Fonética e a Fonologia tem como objeto de estudos os sons
da fala, sendo a fonética responsável pelo estudo dos sons propriamente ditos,
enquanto a fonologia estuda a organização desses sons em um sistema. No
português brasileiro, com a influência dos diferentes povos e dos
acontecimentos históricos, a língua passou por muitas mudanças, se
diferenciando do português europeu, como veremos a seguir.
Aspectos inovadores da fonética brasileira:
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Na pronúncia mais corrente (há, no entanto, exceções)
não existe no português do Brasil a oposição entre timbres abertos e fechados
das vogais tônicas "a", "e" e "o" seguidas de uma
consoantes nasal, ocorre, nesse caso, apenas o timbre fechado. Diz-se cantamos
com [a] no perfeito como no presente, pronuncia-se pena com [e] como em
Portugal, e assim também vênia, ao passo que no português europeu se pronúncia
vénia, se temos sono com [o] como em Portugal, o timbre fechado da vogal
estende-se a Antonio, quando no português europeu se diz António com [ó]. Em
síntese, as oposições fonológicas que existem em Portugal, para essas três
vogais, entre o timbre aberto e o timbre fechado, neutralizam-se no Brasil
diante de consoantes nasais.
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Em sílaba pretônica, o Brasil ignora, para as vogais
escritas "a", "e" e "o", a oposição do timbre
aberto e fechado. Enquanto, Portugal opõe o [a] de cadeira ao /a/ de pádeira, o
[e] de pregar ao /e/ de prégar o [u] de morar ao /o/ de côrar. Desse modo, o
Brasil conhece apenas /A/, /E/ e /O/, realizados, respectivamente, como [a],
[e] e [o] no Centro-Sul. Esta simplificação do sistema fonológico tem
consequências importantes, visto que o artigo feminino "a" não mais
se distingue do mesmo artigo precedido da preposição "a" ( "a
mesa" é foneticamente idêntico a "à mesa"). Além disso, as palavras de origem erudita,
nas quais, diante de uma consoante não são pronunciadas, aparecem no português
europeu, como em "director" (pronunciado diertor) são escritas no
Brasil sem essa "consoante muda" (diretor).
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Proclíticos e enclíticos terminados em -e são pronunciados
como -i no Brasil. Ex: me, te, se, lhe, que, de, etc.
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Vocalização de velar - Na pronúncia mais comum o
"l velar", que é, em Portugal, a realização de todos os "l
velares" em final de sílaba, no Brasil vocaliza-se em [w]. Escreve-se
animal, Brasil, amável, sol e pronuncia-se [animaw], [brasiw], [amávew] e
[sów].
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A pronúncia chiante de -s e -z em final de palavra
provoca, não raro, o aparecimento de um iode. Ex: atrás, luz e pés,
pronunciados como [atrays], [luys], [peys].
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Os grupos consonantais que ocorrem em certas palavras
de origem erudita, Ex: admirar, advogado, observar, psicologia, ritmo, são
eliminados pelo aparecimento de um "i", mas raramente de um
"e": adimirar, adivogado, obisservar, pissicologia, ritimo.
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Nos grupos ti e di, as oclusiva [t] e [d] são
geralmente palatalizadas. Ex: tio, mentiu, sentir, pentear, te vejo, dito,
pediu, diferença e de lá. Ouve-se [ty] e [dy] e mesmo [tš] e [dž] em certos
locutores.
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Em certos registros familiares e coloquiais, o
português do Brasil tende a suprimir o "r" no final das palavras. Ex:
doutô (doutor), pegá (pegar), fazê (fazer). Por uma reação, o "r",
que permanece nos registros mais formais, é pronunciado nessa posição como r
(forte, de carro), quando em Portugal, nesse caso, o que se encontra é r (brando,
de caro). O mesmo sucede em final de sílaba no interior da palavra. Ex: parte,
certeza (no Brasil), mas [r] em Portugal.
Morfologia e Sintaxe: A morfologia diz respeito à
classificação das palavras, enquanto a sintaxe define a função e a posição das palavras.
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O Brasil conserva a possibilidade de empregar os
possessivos sem artigo em casos em que Portugal já não o faz. Ex: meu carro
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O português brasileiro aceita naturalmente o pronome
átono em início absoluto de frase (Me parece que; Me diga uma coisa) e que,
quando o pronome é complemento de um infinitivo, de um gerúndio ou de um
particípio, vem sistematicamente ligado a eles. Ex: "Pode me dizer?"
e não "Pode-me dizer?" .
Realmente a formação da nossa língua é bem complexa, certo?
Mas, acredito que com os assuntos abordados tem sido mais fácil de compreender
os principais elementos que compõem a nossa língua materna. Esperamos que
estejam aproveitando esses novos aprendizados!
Referências bibliográficas: TESSYER, Paul. "O português
do Brasil". In: História da Língua Portuguesa.[Trad. Celso Cunha]. São
Paulo: Martins Fontes, 2007.

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