Origem histórica do português

A origem do português como língua românica

Que o português se originou do latim a grande maioria já sabe, mas qual foi o caminho que a língua de Roma tomou para resultar no português que conhecemos hoje?

Derivado do latim vulgar, o português, assim como as outras línguas românicas, sofreu inicialmente alguns processos dentro do latim vulgar, resultando em inovações similares entre si, tais como a utilização do "de" e do "a" como preposições causais e todas marcarem as pessoas verbais por meio de pronomes pessoais.

A consolidação destas variantes regionais, provindas do latim vulgar, se deram principalmente pela instalação da língua de Roma nas áreas conquistadas pelo Império e  do contato com línguas não-latinas originalmente, que ao terem contato com o latim, deixam de lado sua língua materna, em vista da superioridade linguística e cultural de Roma, e ao aderirem ao novo idioma deixam suas marcas (substrato), formando as variantes. Além disso, o latim levado a determinada região era diferente do levado a outra região, pela cronologia das conquistas territoriais de Roma.

Com a fase de instabilidade que o Império enfrentava no século III d.c, houve uma diminuição progressiva da influência de Roma e um aumento proporcional na autonomia das outras regiões do Império, promovendo a utilização dos falares locais e compartimentando cada vez mais o latim vulgar vindo de Roma.

Focando agora nas transformações ocorridas no latim vulgar da Península Ibérica, podia-se notar a separação, anteriormente, de um latim mais conservador e outro mais inovador no território. Essa separação se tornou mais acentuada com a invasão de povos judeus e principalmente de diversos povos árabes no século VIII d.c. Por terem povoado mais algumas áreas específicas da Península, como a Andaluzia, a influência de seus dialetos se mostrou mais presente nestes locais, estabelecendo fronteiras linguísticas e culturais entre um galego-português-primitivo e um romance-centro-meridional conservado pelos moçárabes (língua usada pelos habitantes que viviam nos territórios ocupados durante a permanência árabe na Península).

Pela reconquista dos territórios tomados pelos visigodos, a Península Ibérica sofreu um processo de repovoamento de regiões reconquistadas, com povos deslocados do Norte, trazendo para estes territórios seus dialetos de origem, que combinados com os locais, resultaram em dialetos mais complexos e nivelados.

Com a fase final da Reconquista (século XII- XIII), ao Lisboa se estabelecer como centro de poder político e econômico, tornou-se possível desenvolver o português, não só como um dialeto regional, mas de se consolidar como uma língua literária, com norma padronizada e nacional deste território, hoje conhecido como Portugaliza.

Referências bibliográficas: CASTRO, Ivo. Introdução à história do português. 2ª ed. [rev. e melh.]. Lisboa: Colibri, 2004.



                                           Árvore genealógica da linguagem- Minna Sundberg



                                                            Imagem retirada da internet.


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